4.4. Preparando os arquivos para inicialização via rede usando TFTP

Caso sua máquina esteja conectada a uma rede de área local, é possível inicia-la através da rede a partir de outra máquina usando o servidor TFTP. Se tem a intenção de iniciar o sistema de instalação para outra arquitetura, os arquivos de inicialização precisarão ser colocados em localizações específicas da máquina e a máquina configurada para suportar inicialização em sua máquina específica.

Você precisará configurar um servidor TFTP e, para muitas máquinas, um servidor DHCP, ou um servidor RARP, ou um servidor BOOTP.

O Reverse Address Resolution Protocol (RARP) é o único método para dizer aos clientes qual endereço IP usar para si mesmo. Outro método é usar o protocolo BOOTP. O BOOTP é um protocolo IP que informa um computador de seu endereço IP e onde na rede será obtida a imagem de inicialização. O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é uma extensão mais flexível, compatível com versões mais antigas do BOOTP. Alguns sistemas somente podem ser configurados via DHCP.

O protocolo Trivial File Transfer Protocol (TFTP) é usado para servidor uma imagem de inicialização ao cliente. Teoricamente, qualquer servidor, em qualquer plataforma que implementa estes protocolos poderá ser usados. Nos exemplos desta seção, nós mostraremos comando para o SunOS 4.x, SunOS 5.x (a.k.a. Solaris), e para o GNU/Linux.

4.4.1. Configurando um servidor RARP

Para configurar o RARP, você precisa conhecer o endereço Ethernet (a.k.a. o endereço MAC) dos computadores clientes que serão instalados. Se não souber isto, você poderá pegar as mensagens iniciais de inicialização do OpenPROM, use o comando .enet-addr do OpenBooe ou iniciar no modo “Rescue” (e.g., a partir do disquete de recuperação) e use o comando /sbin/ifconfig eth0.

Em sistemas RARP usando um kernel Linux 2.4 ou 2.6, ou Solaris/SunOS, você usa o programa rarpd. Você precisará ter certeza que o endereço de hardware Ethernet do cliente está listado no banco de dados “ethers” (ou no arquivo /etc/ethers ou via NIS/NIS+) e no banco de dados “hosts”. Então você precisará iniciar o daemon RARP. Digite o comando (como root): /usr/sbin/rarpd -a; na maioria dos sistemas Linux e no SunOS 5 (Solaris 2), /usr/sbin/in.rarpd -a em alguns outros sistemas Linux, ou /usr/etc/rarpd -a no SunOS 4 (Solaris 1).

4.4.2. Configurando um servidor BOOTP

Existem dois servidores BOOTP disponíveis para o GNU/Linux. O primeiro é o CMU bootpd. O outro é, na verdade, um servidor DHCP: ISC dhcpd. No Debian GNU/Linux eles estão disponíveis nos pacotes bootp e dhcp3-server respectivamente.

Para usar o CMU bootpd você deverá primeiro descomentar (ou adicionar) a linha relevante em /etc/inetd.conf. No Debian GNU/Linux, você poderá executar update-inetd --enable bootps então o comando /etc/init.d/inetd reload para fazer isto. Apenas para o caso de seu servidor BOOTP não estar “rodando” Debian, a linha em questão deveria se parecer com:

bootps  dgram  udp  wait  root  /usr/sbin/bootpd  bootpd -i -t 120

Agora, você deverá criar um arquivo /etc/bootptab. Este terá a mesma quantidade de formato críptico e familiar como o bom e antigo printcap do BSD, termcap, e disktab. Veja a página de manual do bootptab para mais informações. Para o CMU bootpd você precisará conhecer o endereço de hardware (MAC) do cliente. Aqui está um exemplo de arquivo /etc/bootptab:

client:\
  hd=/tftpboot:\
  bf=tftpboot.img:\
  ip=192.168.1.90:\
  sm=255.255.255.0:\
  sa=192.168.1.1:\
  ha=0123456789AB:

Você pelo menos precisará mudar a opção “ha”, que especifica o endereço de hardware do cliente. A opção “bf” especifica o arquivo que o cliente deverá baixar via TFTP; veja Seção 4.4.5, “Movendo as imagens TFTP para o Local” para mais detalhes.

Em contraste, a configuração de um BOOTP com o ISC dhcpd é realmente fácil, por causa que ele trata clientes BOOTP de uma forma especial como clientes DHCP. Algumas arquiteturas requerem uma configuração complexa para a inicialização dos clientes via BOOTP. Caso a sua seja uma destas, leia a seção Seção 4.4.3, “Configurando um servidor DHCP”. Neste caso, você será provavelmente capaz de adicionar a diretiva allow bootp no bloco de configuração de sub-rede de seu cliente e reiniciar o dhcpd com o comando /etc/init.d/dhcpd3-server restart.

4.4.3. Configurando um servidor DHCP

Um servidor DHCP livre é o ISC dhcpd. Para o Debian GNU/Linux, o pacote dhcp3-server é recomendado. Aqui está um exemplo de configuração para este pacote (veja /etc/dhcp3/dhcpd.conf):

option domain-name "exemplo.com";
option domain-name-servers ns1.exemplo.com;
option subnet-mask 255.255.255.0;
default-lease-time 600;
max-lease-time 7200;
server-name "servername";

subnet 192.168.1.0 netmask 255.255.255.0 {
  range 192.168.1.200 192.168.1.253;
  option routers 192.168.1.1;
}

host clientname {
  filename "/tftpboot/tftpboot.img";
  server-name "servername";
  next-server servername;
  hardware ethernet 01:23:45:67:89:AB;
  fixed-address 192.168.1.90;
}

Neste exemplo, existe somente um servidor servername que faz todo o trabalho do servidor DHCP, servidor TFTP e gateway de rede. Você precisará modificar as opções domain-name assim como o nome do servidor e endereço de hardware do cliente. A opção filename deve ter o nome do arquivo que será baixado via TFTP.

Após editar o arquivo de configuração dhcpd, reinice-o com /etc/init.d/dhcpd3-server restart.

4.4.4. Ativando o servidor TFTP

Para ter um servidor TFTP funcionando, primeiro deverá ter certeza que o tftpd está ativado. Ele normalmente é ativado através da seguinte linha no seu arquivo /etc/inetd.conf:

tftp dgram udp wait nobody /usr/sbin/tcpd in.tftpd /tftpboot

Os pacotes da Debian geralmente configurarão isto corretamente por padrão quando forem instalados.

Nota

Historicamente, servidores TFTP usavam /tftpboot como diretório para servir imagens. No entanto, pacotes Debian GNU/Linux podem usar outros diretórios para serem compatíveis com a Filesystem Hierarchy Standard (Padrão de Hierarquia de Diretórios). Por exemplo, tftpd-hpa por padrão usa /var/lib/tftpboot. Você pode ter que ajustar os exemplos de configuração nesta seção.

Olhe em /etc/inetd.conf e lembre-se do diretório que foi usado como argumento do in.tftpd[2]; você precisará disto abaixo. Se você tiver que mudar o /etc/inetd.conf, você terá que notificar o processo em execução inetd de que o arquivo foi modificado. Em máquinas Debian, execute /etc/init.d/inetd reload; em outras máquinas, encontre o ID do processo do inetd e execute o comando kill -HUP inetd-pid.

4.4.5. Movendo as imagens TFTP para o Local

Como próximo passo, coloque a imagem de inicialização TFTP que precisa, como encontrada no Seção 4.2.1, “Aonde achar as imagens de instalação” no diretório de imagens de inicialização do tftpd. Você pode ter que fazer um link deste arquivo para o arquivo que o tftpd usará para inicializar em cliente em particular. Infelizmente, o nome do arquivo é determinado pelo cliente TFTP e não existem padrões rígidos.

4.4.5.1. Inicialização através TFTP no SPARC

Algumas arquiteturas SPARC adicionaram nomes de sub-arquiteturas, tais como “SUN4M” ou “SUN4C”, ao nome de arquivo. Assim, se a sub-arquitetura do seu sistema é SUN4C e, seu endereço IP é 192.168.1.3, o nome do arquivo deverá ser C0A80103.SUN4C. Contudo, existem ainda sub-arquiteturas onde o arquivo que o cliente procura é apenas ip-do-cliente-em-hexa. Um método fácil de determinar o código hexadecimal para o endereço IP é executar o seguinte comando no interpretador de comandos (assumindo que o IP da máquina é 10.0.0.4):

$ printf '%.2x%.2x%.2x%.2x\n' 10 0 0 4

Para obter o nome do arquivo correto, vocé precisará mudar todas as letras para maiúsculo e, se necessário, adicionar o nome da sub-arquitetura.

Se você fez tudo isso corretamente, executando o comando boot net a partir do OpenPROM deveria carregar a imagem. Se a imagem não for encontrada, tente verificar os logs do seu servidor tftp para ver qual nome de imagem está sendo requisitado.

Você também poderá forçar alguns sistemas sparc a procurar por nomes de arquivos específicos adicionando-o no final da linha de comando, por exemplo boot net my-sparc.image. Este arquivo também deverá residir no diretório que o servidor TFTP procura.



[2] O argumento -l habilita algumas versões do in.tftpd a registrar todas as requisições para os logs do sistema; isto é útil para diagnosticar erros de inicialização.