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Instalando Debian GNU/Linux 3.0 para Mipsel
Capítulo 6 - Particionamento para a Debian


O item de menu ``Particionar o Disco Rígido'' lhe mostra uma lista de unidades de discos que poderá particionar e executa uma aplicação de particionamento. Você deverá criar pelo menos uma partição de disco "Linux native" (tipo 83) e precisará de pelo menus uma partição "Linux swap" do tipo 82.


6.1 Decidindo as partições e seus tamanhos na Debian

No mínimo, GNU/Linux precisa de uma partição para sua instalação. Você pode ter uma partição simples contendo todo o sistema operacional, aplicativos, e seus arquivos pessoais. Muita pessoas sentem necessidade de possuir uma partição swap, embora não seja necessária. "Swap" é um espaço utilizando pelo sistema operacional que permite que o sistema criar uma "memória virtual". Colocando swap em uma partição separada, Linux pode fazer um uso mais eficiente dela. É possível forçar o Linux a utilizar um arquivo regular como swap, mas isto não é recomendado.

Porém, muitas pessoas decidem ter um número mínimo de partições para GNU/Linux. Existem duas razões para colocar os sistema em diversas partições pequenas. O primeiro é a segurança, se ocorrer um corrompimento do sistema de arquivos, geralmente somente aquela partição é afetada. Assim, você somente terá que restaurar (através de backups que criou) a partição afetada de seu sistema. No mínimo considere a criação de uma partição separada que é normalmente chamada de "partição root". Esta partição contém os componentes mais essenciais para o funcionamento de seu sistema. Se ocorrer o corrompimento de outras partições, você poderá iniciar o GNU/Linux e corrigir este problema. Isto pode evitar toda a reinstalação de seu sistema por causa de um problema.

A segunda razão é geralmente mais importante em uma empresa, mas depende do uso de seu computador. Suponha que alguma coisa esteja fora de controle e começa a comer seu espaço em disco. Se o processo causador deste problema procura obter privilégios de root (o sistema mantém uma porcentagem do espaço em disco longe dos usuários), de repente você pode descobrir que perdeu espaço em disco. Isto não é muito bom como o OS precisa utilizar arquivos reais (além do espaço de troca) para muitas coisas. Pode nem ser mesmo um problema de origem local. Por exemplo, obtendo e-mails indesejados pode-se facilmente encher uma partição. Utilizando mais partições, você estará protegendo seu sistema de muitos destes problemas. Usando novamente o e-mail como exemplo, colocando /var/spool/mail em sua própria partição, o resto do sistema trabalhará normalmente se você receber muitos e-mails.

A única desvantagem de se utilizar diversas partições é a dificuldade de se saber com antecedência quais serão as suas necessidades de espaço. Se você criar uma partição muito pequena, você terá que reinstalar todo o sistema ou terá que mover arquivos freqüentemente para outras partições para liberar espaço na partição. No outro caso, se criar um partição muito grande, você estará desperdiçando espaço que poderia ser utilizado em outro local. Espaço em disco é barato hoje em dia, mas porque jogar seu dinheiro fora?


6.1.1 A estrutura de diretórios

A Debian GNU/Linux segue o Filesystem Hierarchy Standard para nomeação de arquivos e diretórios. Este padrão permite aos usuários e programas predizerem a localização de arquivos e diretórios. O diretório de nível raíz é representado simplesmente pela /. No nível raíz, todos os sistemas Debian incluem estes diretórios:

            bin       Binários de comandos essenciais
            boot      Arquivos estáticos e gerenciador de inicialização
            dev       Arquivos de Dispositivos
            etc       Configuração do sistema específico da máquina
            home      Diretórios de usuários
            lib       Bibliotecas essenciais compartilhadas e módulos do kernel
            mnt       Ponto de montagem para montar um sistema de arquivos temporariamente
            proc      Diretório virtual de informações do sistema
            root      Diretório home do usuário root
            sbin      Binários essenciais do sistema do usuário root
            tmp       Arquivos temporários
            usr       Hierarquia secundária
            var       Dados variáveis
            opt       Aplicativos adicionais e pacotes de softwares

A seguir uma lista de considerações importantes tratando de diretórios e partições.


6.2 Esquema de particionamento recomendado

Para os novos usuários, computadores pessoais da Debian, sistemas caseiros e outras configurações de apenas um usuário, uma partição / simples (mais a partição swap) é provavelmente o método mais fácil e simples de ser feito. Entretanto, não é uma boa idéia caso tenha um espaço grande na partição do disco rígido, por exemplo, 20GB ou mais. O ext2 tende a ter a performance prejudicada na checagem de partições maiores que 6GB.

Para sistemas multi-usuários ou com muito espaço em disco, é melhor colocar /usr, /var, /tmp e /home em sua própria partição, separada da partição /.

Você poderá precisar ter uma partição /usr/local separada se desejar instalar muitos programas que não fazem parte da distribuição Debian. Se sua máquina funcionar como servidor de e-mail, você deverá criar uma partição separada para /var/spool/mail. Normalmente, é uma boa idéia colocar /tmp em sua própria partição, com o espaço entre 20 e 50MB. Caso esteja configurando um servidor que terá várias contas de usuários, é recomendado criar uma grande partição /home. Em geral, as situações de particionamento variam de computador para computador, dependendo de seu uso.

Para sistemas muito complexos, você deverá ler o Multi Disk HOWTO. Este contém informações detalhadas, muito de interesse de ISPs e pessoas configurando servidores.

A respeito do assunto tamanho da partição de troca, existem muitos pontos de vista. Uma regra que funciona bem é criar o tamanho do arquivo de troca de acordo com a memória em seu sistema, embora não seja muito comum para muitos usuários ter mais que 64MB de swap. Também não pode ser menor que 16MB, na maioria dos casos. É claro, existem exceções para estas regras. Se você está tentando resolver 10.000 equações simultâneas em uma máquina com 256MB de memória, você precisará de 1 gigabyte (ou mais) de swap. Em arquiteturas de 32bits (i386, m68k, 32-bit SPARC e o PowerPC), o tamanho máximo de uma partição swap é de 2 GB (no Alpha e SPARC64, é virtualmente ilimitado). Isto deve ser o bastante para qualquer instalação. No entanto, caso os requerimentos de sua partição swap são grandes, você deve dividi-la em diferentes discos (também chamados de "spindles") e, se possível, canais SCSI e IDE diferentes. O kernel balanceará o uso da swap entre as múltiplas partições swap, oferecendo melhor performance.

Em um exemplo, a máquina da casa do autor possui 32 MB de RAM e 1.7 GB IDE em /dev/hda. Isto é uma partição de 500MB para outro sistema operacional em /dev/hda1 (e 200MB nunca foram usados). Uma partição de 32MB é usada em /dev/hda3 e o resto (acima de 1.2GB em /dev/hda2) é a partição Linux.

Para mais exemplos, veja Estratégias de Particionamento. Para uma idéia do espaço ocupado pelas tarefas após a instalação do seu sistema estar completa, verifique Espaço em disco requerido para as tarefas, Secção 11.4.


6.3 Nomes dos dispositivos no Linux

As partições e discos do Linux são nomeados de formas diferentes de outros sistemas operacionais. Você precisará conhecer os nomes que o Linux usa antes de criar suas partições. Aqui um esquema básico de nomes:

As partições em cada disco são representadas por um número decimal correspondente ao nome do disco: "sda1" e "sda2" representam a primeira e segunda partição do primeiro disco SCSI do computador.

Aqui um exemplo real. Imagine que você possui um sistema com 2 discos SCSI, um no segundo endereço SCSI e o outro SCSI no endereço 5. O primeiro disco (no endereço 2) é nomeado como "sda", e o segundo "sdb". Se a unidade "sda" possui 3 partições nele, estas serão nomeadas como "sda1", "sda2" e "sda3". O mesmo se aplica ao disco "sdb" e suas partições.

Note que se você tiver duas adaptadoras de barramento SCSI (i.e. controladoras), a ordem dos drives podem gerar confusão. A melhor solução neste caso é ler as mensagens no boot, assumindo que você conheça o modelo dos discos rígidos.


6.4 Programas de Particionamento da Debian

Existem diversas variedades de programas de particionamento que foram adaptados por desenvolvedores da Debian para funcionarem em vários tipos de discos rígidos e arquiteturas de computadores. A seguinte é uma lista de programas aplicáveis para sua arquitetura.

fdisk
O particionador original de discos do Linux, bom para gurus; leia a página de manual do fdisk.

Tenha cuidado se possuir partições FreeBSD existentes em sua máquina. O kernel da instalação inclui suporte a estas partições, mas a maneira que o fdisk as representa (ou não) pode tornar os nomes de dispositivos diferentes. Seja atencioso, e veja Linux+FreeBSD HOWTO.

cfdisk
um particionador de discos simples de ser utilizado para o resto das pessoas; leia a página de manual do cfdisk.

Note que o cfdisk não entende completamente as partições FreeBSD e, novamente, os nomes de dispositivos podem ser diferentes.

Um destes programas será executado por padrão quando você selecionar ``Particionar o Disco Rígido''. Se o programa executado por padrão não é o que deseja, saia do particionador, vá para o shell (tty2), e digite manualmente o nome do programa que deseja usar (e argumentos se precisar). Então pule o passo ``Particionar o Disco Rígido'' no dbootstrap e continue com o próximo passo.

Se estiver trabalhando com mais de 20 partições em seu disco IDE, você precisará criar dispositivos para a partição 21 e posteriores. O próximo passo para inicialização da partição falhará a não ser que o dispositivo apropriado esteja presente. Como um exemplo, aqui estão os comandos que poderá utilizar no tty2 ou sob Executar um shell para adicionar um dispositivo assim a partição 21 poderá ser inicializada:

     cd /dev
     mknod hda21 b 3 21 
     chgrp disk hda21
     chmod 660 hda21

A inicialização em um novo sistema falhará a não ser que os dispositivos apropriados estejam presente no sistema alvo. Após instalar o kernel e os módulos, execute:

     cd /target/dev
     mknod hda21 b 3 21 
     chgrp disk hda21
     chmod 660 hda21

6.5 ``Inicializar e Ativar uma Partição Swap''

Este será o próximo item de menu uma vez que criou uma partição de disco. Se tem a opção de inicializar e ativar a nova partição swap, ativar uma partição anteriormente inicializada, e continuar sem uma partição swap. É sempre permitido re-inicializar uma partição swap, é só selecionar ``Inicializar e Ativar uma Partição Swap'' a menos que saiba seguramente o que está fazendo.

Esta opção de menu mostrará a você uma caixa de diálogo dizendo ``Selecione a partição para ativar como dispositivo swap.''. O dispositivo padrão mostrado será a partição swap que você configurou atualmente; se for, apenas pressione Enter.

Será mostrada uma mensagem de confirmação, pois a inicialização destrói todos os dados antigos da partição. Se está tudo bem, selecione ``Sim''. A tela mostrará o programa de inicialização sendo executado.

Uma partição de troca é fortemente recomendada, mas você pode prosseguir sem uma destas se insistir e caso seu sistema tenha mais que 12MB RAM. Se quiser fazer isto, por favor selecione o item ``Continuar sem uma partição Swap'' do menu.


6.6 ``Inicializar uma Partição Linux''

Neste ponto, a próxima opção mostrada no menu será ``Inicializar uma Partição Linux''. Se não for ela, é porque você não completou o processo de particionamento do disco, ou você não escolheu uma das opções de menu de sua partição de troca.

Você pode inicializar uma partição Linux, ou alternativamente você pode montar uma partição inicializada anteriormente. Note que o dbootstrap não atualizará um sistema antigo sem destruí-lo. Se você está atualizando, a Debian pode usualmente atualizar-se, e você não precisará utilizar o dbootstrap. Para instruções de upgrade para a Debian 3.0, veja instruções de upgrade.

Assim, se você esta utilizando partições de disco antigas que não estão vazias, i.e. se você deseja destruir o que estiver nela, você deverá inicializa-la (que apagará todos os arquivos). Mais ainda, você deve inicializar qualquer partição que você criou no passo de particionamento de disco. Sobre a única razão para montar uma partição sem inicializa-la neste ponto é porque você já deve ter feito grande parte do processo de instalação com as mesmas configurações dos disquetes de instalação.

Selecione a opção de menu ``Inicializar uma Partição Linux'' e monte a partição de disco /. A primeira partição que você montar e inicializar será a única montada como / (pronunciada "raíz" - em inglês "root").

Você será perguntado se deseja manter ``Compatibilidade com Kernel Linux Anterior ao 2.2'' Dizendo ``Não'' significa que não poderá executar kernels da série 2.0 ou anteriores em seu sistema, pois o sistema de arquivos ativará características que estes kernels não suportam. Se você nunca precisou executar um kernel 2.0 ou anterior em seu sistema, responda ``Não'' a questão. O padrão é ``Sim'' em nome da compatibilidade.

Você também será perguntado se deseja fazer a verificação por blocos defeituosos. O padrão é pular a verificação por blocos defeituosos, pois a verificação consome muito tempo e controladoras de disco modernas detectam e fazem a correção adequada quando encontram blocos defeituosos. No entanto, se não está certo da qualidade de sua controladora de disco, ou se tiver um sistema muito antigo, provavelmente deverá fazer a procura por blocos defeituosos.

As próximas perguntas são somente para confirmação. Você será perguntado para confirmar, pois a inicialização destruirá todos os dados em sua partição de disco, e você será perguntado se a partição deverá ser montada como / [3].

Após você montar a partição /, o próximo item de menu será ``Instalar o Kernel e os Módulos'', a não ser que você já tenha feito vários passos da instalação. Você pode usar as setas para selecionar o item de menu ``Alternativo'' para inicializar e/ou montar as partições de disco caso você tiver mais partições para configurar. Esta opção é principalmente para pessoas que criaram partições separadas para /boot, /var, /usr ou outras, que não podem ser inicializadas e montadas neste passo.


6.7 ``Montar uma Partição Linux já Inicializada''

Uma alternativa para ``Inicializar uma Partição Linux'', Secção 6.6, é o passo ``Montar uma Partição Linux já Inicializada''. Use isto se você esta resumindo uma instalação que foi perdida, ou se você deseja montar partições que já foram inicializadas ou possuem dados que deseja preservar.

Se você estiver instalando em uma estação de trabalho sem disco rígido, neste ponto, você pode montar sua partição NFS root através do servidor NFS remoto. Especificamente o caminho para o servidor NFS na sintaxe NFS, isto é, nome-do-servidor-ou-IP:caminho-do-compartilhamento-do-servidor. Se você precisar montar sistemas de arquivos adicionais também, você pode monta-los agora.

Caso ainda não tenha configurado a sua rede como descrito em ``Configurar a Rede'', Secção 7.4, então ao selecionar uma instalação NFS, será perguntado por por isso.


6.7.1 Solução para a instalação do ROOT via NFS

Infelizmente, o lançamento boot-floppies da Woody não suporta o locking do dpkg nas instalações root do NFS. Para contornar este problema, execute os seguintes passos após montar seu compartilhamento NFS alvo em /target. Este exemplo assume a instalação através de um CD, mas ela também se aplica bem para instalações de arquivos colocadas em um compartilhamento NFS e montadas em /instmnt (que é onde o instalador normalmente monta a mídia de instalação).

Para ativar o locking de NFS< faça os pré-requisitos para ter esta sequência de comandos no compartilhamento NFS ou crie-o usando o nano-tiny.

     #!/bin/sh
     mount /dev/hdc /instmnt  # substitua seu dispositivo de CDROM por /dev/hdc
     cd /target
     mkdir x
     cd x+for i in g/glibc/libc6 t/tcp-wrappers/libwrap0 p/portmap/portmap n/nfs-utils/nfs-common
     do
       ar -x /instmnt/pool/main/$i''_*.deb
       zcat data.tar.gz | tar x
     done
     umount /instmnt
     mkdir -p /var/lib/nfs
     for i in portmap rpc.statd
     do
       LD_LIBRARY_PATH=lib sbin/$i
     done

Agora instale o sistema básico como é feito normalmente. Então instale o pacote nfs-common:

     $ umount /instmnt
     $ chroot /target /bin/sh
     $ apt-cdrom add
     $ apt-get install nfs-common

As mensagens sobe o sistema de arquivos /proc faltando podem ser ignoradas, pois o portmap e o statd já estão rodando.

Você precisará construir um kernel com o CONFIG_ROOT_NFS. O kernel existente no CD não possui este recurso. Se não tiver este kernel e não puder construir um em outra máquina, você deverá construir um na mesma máquina usando o ambiente chroot:

     $ apt-get install gcc make libc6-dev kernel-source-2.4.18 less screen links lynx wget ftp # etc.

Agora você precisará fazer modificações para inicializar o novo kernel, usando o compartilhamento NFS como dispositivo raíz, de forma limpa:

     $ exit # do shell do chroot
     $ cd /
     $ killall portmap rpc.statd
     $ umount /target

Então reinicie. Caso ele falhar, então inicie através do CD de instalação, monte o compartilhamento NFS em /target, ative o locking de NFS, chroot /target, faça o que se esqueceu de fazer, volte e reinicie. Caso isto falhar, tente de novo. Boa sorte.


6.8 Montando partições não suportadas pelo dbootstrap

Em algumas situações especiais, o dbootstrap pode não saber como montar seus sistemas de arquivos (seja o root ou outro qualquer). Pode ser possível, se você é um usuário Linux experiente, simplesmente vá até o tty2 e execute manualmente os comandos que você precisa para montar a partição em questão.

Se estiver montando uma partição raíz para seu novo sistema, apenas monte-a em /target, então volte para o dbootstrap e continue (talvez executando o passo ``Ver a Tabela de Partição'' para o dbootstrap recomputar onde está no processo de instalação.

Para partições não-raízes, você deve se lembrar de modificar manualmente seu novo arquivo fstab assim sua partição será montada quando reiniciar. Espere o arquivo (/target/etc/fstab) ser gravado pelo dbootstrap, é claro, antes de edita-lo.


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Instalando Debian GNU/Linux 3.0 para Mipsel

versão 3.0.24, 18 December, 2002

Bruce Perens
Sven Rudolph
Igor Grobman
James Treacy
Adam Di Carlo