Capítulo 1. Manuais de GNU/Linux

Índice

1.1. Básico da consola
1.1.1. A linha de comandos da shell
1.1.2. A linha de comandos shell sob X
1.1.3. A conta root
1.1.4. A linha de comandos shell do root
1.1.5. GUI de ferramentas de administração do sistema
1.1.6. Consolas virtuais
1.1.7. Como abandonar a linha de comandos
1.1.8. Como desligar o sistema
1.1.9. Recuperar uma consola sã
1.1.10. Sugestões de pacotes adicionais para o novato
1.1.11. Uma conta de utilizador extra
1.1.12. Configuração do sudo
1.1.13. Hora de brincar
1.2. Sistema de ficheiros tipo Unix
1.2.1. Noções básicas de ficheiros Unix.
1.2.2. Internos do sistema de ficheiros
1.2.3. Permissões do sistema de ficheiros
1.2.4. Controlo de permissões para ficheiros acabados de criar: umask
1.2.5. Permissões para grupos de utilizadores (group)
1.2.6. Marcas temporais (Timestamps)
1.2.7. Links (ligações)
1.2.8. Pipes com nome (FIFOs)
1.2.9. Sockets
1.2.10. Ficheiros de dispositivo
1.2.11. Ficheiros de dispositivos especiais
1.2.12. procfs e sysfs
1.2.13. tmpfs
1.3. Midnight Commander (MC)
1.3.1. Personalização do MC
1.3.2. Iniciar o MC
1.3.3. Gestor de ficheiros no MC
1.3.4. Truques de linha de comandos no MC
1.3.5. O editor interno em MC
1.3.6. O visualizador interno no MC
1.3.7. Funcionalidades de auto-arranque do MC
1.3.8. Sistema de ficheiros virtual FTP no MC
1.4. O ambiente de trabalho estilo Unix básico
1.4.1. A shell de login
1.4.2. Personalizar bash
1.4.3. Teclas especiais
1.4.4. Operações do rato ao estilo Unix
1.4.5. O pager
1.4.6. O editor de texto
1.4.7. Definir um editor de texto predefinido
1.4.8. Personalizar o vim
1.4.9. Gravar as actividades da shell
1.4.10. Comandos básicos de Unix
1.5. O comando simples da shell
1.5.1. Execução do comando e variável de ambiente
1.5.2. A variável "$LANG"
1.5.3. A variável "$PATH"
1.5.4. A variável "$HOME"
1.5.5. Opções da linha de comandos
1.5.6. Glob da shell
1.5.7. Valor de retorno do comando
1.5.8. Sequências de comandos típicas e redireccionamento da shell
1.5.9. Comando alias
1.6. Processamento de texto estilo Unix
1.6.1. Ferramentas de texto de Unix
1.6.2. Expressões regulares
1.6.3. Expressões de substituição
1.6.4. Substituição global com expressões regulares
1.6.5. Extrair dados de tabela de ficheiro de texto
1.6.6. Trechos de script para canalizar comandos em pipe

Eu acho que aprender um sistema de computador é como aprender uma nova língua estrangeira. Apesar dos livros e documentação darem ajuda, você tem que praticar também. De modo a ajudá-lo a iniciar suavemente, elaborei alguns pontos básicos.

O design poderoso da Debian GNU/Linux vem do sistema operativo Unix, isto é, um sistema operativo multi-utilizador e multi-tarefa. Você necessita aprender a tirar vantagem do poder destas funcionalidades e semelhanças entre Unix e GNU/Linux.

Não se esconda dos textos orientados ao Unix e não se guie somente nos textos de GNU/Linux, por isto rouba-lhe muita informação útil.

[Nota] Nota

Se você tem usado qualquer sistema de tipo Unix com ferramentas de linha de comandos, provavelmente já sabe tudo o que eu explico aqui. Por favor use isto como um teste de realidade e refrescamento.

Após arrancar o sistema, é-lhe apresentado o ecrã de login baseado em caracteres se você não instalou o X Window System com um gestor de visualização como o gdm3. Suponha que o nome da sua máquina é foo, o aviso de login parece-se com o seguinte.

foo login:

Se instalou um ambiente GUI, como o GNOME ou KDE, então pode ir para uma prompt de login ao pressionar Ctrl-Alt-F1, e pode regressar ao ambiente GUI com Alt-F7 (para mais informação veja em baixo Secção 1.1.6, “Consolas virtuais”).

Na prompt de login, escreva o seu nome de utilizador, p.e. penguin, e carregue na tecla Enter, depois escreva a sua palavra-passe e carregue novamente na tecla Enter.

[Nota] Nota

Seguindo a tradição do Unix, o nome de utilizador e palavra-passe do sistema Debian são sensíveis a maiúsculas/minúsculas. O nome de utilizador é geralmente escolhido apenas em minúsculas. A primeira conta de utilizador é normalmente criada durante a instalação. Podem ser criadas contas de utilizador adicionais com adduser(8) pelo root.

O sistema inicia com a mensagem de boas vindas armazenada em "/etc/motd" (Mensagem do Dia) e apresenta uma prompt de comandos.

Debian GNU/Linux jessie/sid foo tty1
foo login: penguin
Password:
Last login: Mon Sep 23 19:36:44 JST 2013 on tty3
Linux snoopy 3.11-1-amd64 #1 SMP Debian 3.11.6-2 (2013-11-01) x86_64

The programs included with the Debian GNU/Linux system are free software;
the exact distribution terms for each program are described in the
individual files in /usr/share/doc/*/copyright.

Debian GNU/Linux comes with ABSOLUTELY NO WARRANTY, to the extent
permitted by applicable law.
foo:~$

Aqui, a parte principal da mensagem de boas vindas pode ser personalizada ao editar o ficheiro "/etc/motd.tail". A primeira linha é gerada a partir de informação do sistema usando "uname -snrvm".

Você está agora na shell. A shell interpreta os seus comandos.

Se você instalou o X Window System com um gestor de ecrã como o gdm3 do GNOME ao seleccionar a tarefa "Ambiente de Trabalho" durante a instalação, é-lhe apresentado o ecrã de login gráfico após arrancar o sistema. Escreva o seu nome de utilizador e a sua palavra-passe para iniciar sessão na conta de utilizador não-privilegiado. Use a tecla Tab para navegar entre nome de utilizador e a palavra-passe ou utilize o rato e o clique principal.

Você pode obter uma linha de comandos no X ao iniciar um programa x-terminal-emulator tal como o gnome-terminal(1), rxvt(1) ou o xterm(1). No ambiente de trabalho GNOME, clicar em "Aplicações" → "Acessórios" → "Consola".

Pode ver também a secção Secção 1.1.6, “Consolas virtuais” .

Em alguns Ambientes de Trabalho (como o fluxbox), pode não existir um ponto de partida óbvio para o menu. Se isto acontecer, tente clicar (botão direito) no fundo do ambiente de trabalho e espere que apareça um menu.

A conta root também é chamada como de super utilizador ou de utilizador privilegiado. A partir desta conta, você pode executar as seguintes tarefas de administração do sistema:

  • Ler, escrever e remover quaisquer ficheiros no sistema independentemente das suas permissões

  • Definir o dono e permissões de quaisquer ficheiros no sistema

  • Definir a palavra-passe de quaisquer utilizadores não privilegiados do sistema.

  • Iniciar sessão (Login) em qualquer conta sem a sua palavra-passe

Este poder ilimitado da conta root requer que você seja atento e responsável quando a utilizar.

[Atenção] Atenção

Nunca partilhe a palavra-passe de root com outros.

[Nota] Nota

As permissões de um ficheiro (incluindo dispositivos de hardware como CD-ROM etc. os quais são apenas outros ficheiros para o sistema Debian) podem torná-lo não-utilizável ou inacessível para utilizadores não-root. Apesar da utilização da conta root ser um modo rápido de testar este tipo de situação, a sua resolução deve ser feita através da definição correcta das permissões do ficheiro e membros dos grupos de utilizadores. (veja Secção 1.2.3, “Permissões do sistema de ficheiros”).

Por omissão no sistema Debian existem disponíveis seis consolas de caracteres alternáveis tipo VT100 para arrancar a shell de comandos directamente na máquina Linux. A menos que você esteja num ambiente GUI, você pode mudar entre consolas virtuais ao pressionar Left-Alt-key e simultaneamente numa das teclas F1F6. Cada consola de caracteres permite um login independente para a conta e oferece um ambiente multi-utilizador. Este ambiente multi-utilizador é uma funcionalidade excelente do Unix, e muito viciante.

Se você está no X Window System, pode ganhar acesso à consola 1 pressionando as teclas Ctrl-Alt-F1, isto é, a tecla-Ctrl-esquerda, a tecla-Alt-esquerda, e a tecla-F1 pressionadas em conjunto. Pode regressar ao X Window System, que normalmente corre na consola virtual 7, pressionando Alt-F7.

Você pode, em alternativa, mudar para outra consola virtual, por exemplo para a consola 1, a partir da linha de comandos.

# chvt 1

Tal como qualquer outro SO moderno onde operar ficheiros involve colocar dados em cache em memória para melhorar a performance, o sistema Debian precisa de um processo apropriado de desligar antes que a energia possa ser, em segurança, desligada. Isto é para manter a integridade dos ficheiros, ao forçar todas as alterações em memória a serem escritas no disco. Se estiver disponível software de controle de energia, o processo de desligar desliga automaticamente a energia do sistema. (Caso contrário, você pode ter de pressionar o botão de energia por alguns segundos após o procedimento de desligar.)

Você pode desligar o sistema sob o modo normal de multi-utilizador a partir da linha de comandos.

# shutdown -h now

Você pode desligar o sistema sob o modo único-utilizador a partir da linha de comandos.

# poweroff -i -f

Em alternativa, você pode pressionar Ctrl-Alt-Delete (A tecla-Ctrl-esquerda, a tecla-Alt-esquerda, e Delete pressionadas ao mesmo tempo) para desligar o sistema se "/etc/inittab" contiver "ca:12345:ctrlaltdel:/sbin/shutdown -t1 -a -h now". Veja inittab(5) para detalhes.

Veja a Secção 6.9.6, “Como desligar o sistema remoto em SSH”.

Apesar de mesmo uma instalação mínima do sistema Debian sem quaisquer tarefas de ambiente de trabalho disponibilizar as funcionalidades básicas do Unix, é uma boa ideia instalar alguns pacotes baseados em linha de comandos e terminais de caracteres baseados em curses tais como o mc e o vim com o apt-get(8) para os iniciantes começarem, com o seguinte:

# apt-get update
 ...
# apt-get install mc vim sudo
 ...

Se já tiver estes pacotes instalados, não serão instalados novos pacotes.


Pode ser uma boa ideia ler algumas documentações informativas.


Você pode instalar alguns destes pacotes com o seguinte.

# apt-get install nome_do_pacote

Para a típica estação de trabalho de um único utilizador como o ambiente de trabalho do sistema Debian no PC portátil, é comum implementar uma configuração simples do sudo(8) como se segue para permitir ao utilizador não-privilegiado, ex. penguin, ganhar privilégios administrativos apenas com a sua palavra passe de utilizador mas sem a palavra passe do root.

# echo "penguin  ALL=(ALL) ALL" >> /etc/sudoers

Em alternativa, é também comum fazer como se segue para permitir a um utilizador não privilegiado, ex. penguin, ganhar privilégios administrativos sem qualquer palavra-passe.

# echo "penguin  ALL=(ALL) NOPASSWD:ALL" >> /etc/sudoers

Este truque só deve ser usado na estação de trabalho de um único utilizador qual você administre e onde você é o único utilizador.

[Atenção] Atenção

Não configure assim as contas de utilizadores normais numa estação de trabalho multi-utilizador porque seria muito mau para a segurança do sistema.

[Cuidado] Cuidado

A palavra-passe e a conta penguin no exemplo em cima requer tanta protecção como a palavra-passe do root e a conta do root.

[Cuidado] Cuidado

O privilégio administrativo neste contexto pertence a alguém autorizado a executar as tarefas de administração do sistema numa estação de trabalho. Nunca dê tais privilégios a um gestor do departamento Administrativo da sua firma ou ao seu chefe a menos que eles sejam autorizados e capazes.

[Nota] Nota

Para disponibilizar privilégios de acesso a dispositivos limitados e ficheiros limitados, você deve considerar usar o group para disponibilizar acesso limitado em vez de usar os privilégios do root via sudo(8).

[Nota] Nota

Com uma configuração melhor pensada e cuidada, o sudo(8) pode garantir privilégios administrativos limitados a outros utilizadores num sistema partilhado sem partilhar a palavra passe do root. Isto pode ajudar com as responsabilidades com máquinas com múltiplos administradores para que você possa saber quem fez o quê. Por outro lado, você pode querer que mais ninguém tenha tais privilégios.

No GNU/Linux e noutros sistemas operativos tipo Unix, os ficheiros estão organizados em directórios. Todos os ficheiros e directórios estão organizados numa grande árvore que nasce em "/". É chamada uma árvore porque se você desenhar o sistema de ficheiros, parece-se com uma árvore mas está de cabeça para baixo.

Estes ficheiros e directórios podem estar espalhados por vários dispositivos. mount(8) serve para anexar o sistema de ficheiros encontrado num dispositivo à grande árvore de ficheiros. Reciprocamente, umount(8) desanexa-os novamente. Nos kernel Linux recentes, o mount(8) com algumas opções pode unir parte de uma árvore de ficheiros noutro lugar ou pode montar um sistema de ficheiros como partilhado, privado, escravo ou não-unível. As opções do mount suportadas para cada sistema de ficheiros estão disponíveis em "/share/doc/linux-doc-*/Documentation/filesystems/".

Os directórios no sistema Unix são chamados pastas nalguns outros sistemas. Por favor note também que não existe conceito para drive tal como "A:" em qualquer sistema Unix. Existe um sistema de ficheiros, e tudo está incluído nele. Esta é uma enorme vantagem em comparação com o Windows.

Aqui estão algumas noções básicas de ficheiros Unix:

[Nota] Nota

Apesar de você poder usar quase todas as letras ou símbolos num nome de ficheiro, na prática é má ideia fazê-lo. É melhor evitar quaisquer caracteres que geralmente têm significados especiais na linha de comandos, incluindo espaços, tabs, novas linhas, e outros caracteres especiais: { } ( ) [ ] ' ` " \ / > < | ; ! # & ^ * % @ $ . Se você deseja separar palavras num nome, as boas escolhas são o ponto, traço e underscore. Você também pode capitalizar cada palavra assim "ComoEsteExemplo". Os utilizadores avançados de Linux procuram evitar espaços nos nomes de ficheiros.

[Nota] Nota

A palavra "root" pode significar o "utilizador root" ou o "directório raiz (root)". O contexto da sua utilização deve torná-lo claro.

[Nota] Nota

A palavra caminho (path) é usada não apenas para o nome-de-ficheiro totalmente qualificado como em cima mas também para o caminho de busca de comandos. O significado pretendido é geralmente claro a partir do contexto.

As melhores práticas detalhadas para a hierarquia de ficheiros estão descritas no Filesystem Hierarchy Standard ("/usr/share/doc/debian-policy/fhs/fhs-2.3.txt.gz" e hier(7)). Você deve lembrar-se dos seguintes factos como princípio:


Seguindo a tradição do Unix, o sistema Debian GNU/Linux disponibiliza o sistema de ficheiros sob o qual residem os dados físicos em discos rígidos e outros dispositivos de armazenamento, e a interacção com os dispositivos de hardware como ecrãs de consola e consolas série remotas são representados num modo unificado sob "/dev/".

Cada ficheiro, directório, 'named pipe' (um modo de dois programas partilharem dados), ou dispositivo físico num sistema Debian GNU/Linux tem uma estrutura de dados chamada inode que descreve os seus atributos associados como o utilizador que o possui (o dono), o grupo a que pertence, a hora do último acesso, etc. Se você estiver mesmo interessado, veja "/usr/include/linux/fs.h" para uma definição exacta de "struct inode" no sistema Debian GNU/Linux. A ideia de representar praticamente tudo no sistema de ficheiros foi uma inovação do Unix, e os modernos kernel Linux desenvolveram esta ideia ainda mais. Actualmente, até informação sobre os processos que correm no computador pode ser encontrada no sistema de ficheiros.

Esta representação abstracta e unificada de entidades físicas e processos internos é muito poderosa porque permite-nos utilizar o mesmo comando para o mesmo tipo de operação em muitos dispositivos totalmente diferentes. É mesmo possível alterar o modo como o kernel funciona ao escrever dados em ficheiros especiais que estão ligados a processos em execução.

[Dica] Dica

Se necessitar identificar a correspondência entre a árvore de ficheiros e a entrada física, execute mount(8) sem argumentos.

As Permissões de sistemas de ficheiros de sistemas tipo-Unix são definidas por três categorias de utilizadores afectados:

  • O utilizador que é dono do ficheiro (u)

  • Outros utilizadores no grupo ao qual o ficheiro pertence (g)

  • Todos os outros utilizadores (o) também referido como "mundo" e "todos"

Para o ficheiro, cada permissão correspondente permite as seguintes acções:

  • A permissão read (r) permite ao dono examinar o conteúdo do ficheiro.

  • A permissão write (w) permite ao dono modificar o ficheiro.

  • A permissão execute (x) permite ao dono correr o ficheiro como um comando.

Para o directório, cada permissão correspondente permite as seguintes acções:

  • A permissão read (r) permite ao dono listar o conteúdo do directório.

  • A permissão write (w) permite ao dono adicionar ou remover ficheiros no directório.

  • A permissão execute (x) permite ao dono aceder aos ficheiro no directório.

Aqui, a permissão execute num directório significa não só permitir a leitura dos ficheiros nesse directório mas também permitir visualizar os seus atributos, tais como o tamanho e a hora de modificação.

ls(1) é utilizado para mostrar informação de permissões (e mais) para ficheiros e directórios. Quando é invocado com a opção "-l", mostra a seguinte informação na ordem apresentada:

  • Tipo de ficheiro (primeiro caractere)

  • Permissão de acesso do ficheiro (nove caracteres, consistindo em três caracteres cada para utilizador, grupo, e outros por esta ordem)

  • Número de hard links para o ficheiro

  • Nome do utilizador dono do ficheiro

  • Nome do grupo ao qual o ficheiro pertence

  • Tamanho do ficheiro em caracteres (bytes)

  • Data e hora do ficheiro (mtime)

  • Nome do ficheiro


chown(1) é utilizado a partir da conta de root para alterar o dono do ficheiro. chgrp(1) é utilizado a partir da conta do dono do ficheiro ou da conta root para alterar o grupo do ficheiro. chmod(1) é usado a partir da conta do dono do ficheiro ou da conta root para alterar as permissões de acesso ao ficheiro ou directório. A sintaxe básica para manipular o ficheiro foo é a seguinte:

# chown <novo_dono> foo
# chgrp <novo_grupo> foo
# chmod  [ugoa][+-=][rwxXst][,...] foo

Por exemplo, você pode fazer com que uma árvore de directórios tenha como dono o utilizador foo e seja partilhada pelo grupo bar com o seguinte:

# cd /qualquer/localização/
# chown -R foo:bar .
# chmod -R ug+rwX,o=rX .

Existem mais três bits especiais de permissões.

  • O bit set user ID (s ou S em vez do x do utilizador)

  • O bit set group ID (s ou S em vez do x do grupo)

  • O bit sticky (t ou T em vez do x dos outros)

Aqui o resultado de "ls -l" para estes bits é capitalizado se a execução de bits escondidos por estes resultados estiverem não definidos.

Definir set user ID num ficheiro executável permite a um utilizador executar o ficheiro executável com o ID do dono do ficheiro (por exemplo root). De modo semelhante, definir set group ID num ficheiro executável permite a um utilizador executar o ficheiro executável com o ID de grupo do ficheiro (por exemplo root). Porque estas definições podem causar riscos de segurança, activá-las requer precauções extra.

Definir set group ID num directório activa o esquema de criação de ficheiros ao estilo BSD onde todos os ficheiros criados no directório pertencem ao grupo do directório.

Definir o sticky bit num directório previne que um ficheiro nesse directório seja removido por um utilizador que não seja o dono do ficheiro. De modo a tornar o conteúdo de um ficheiro seguro em directórios onde todos têm acesso de escrita, como o "/tmp" ou em directórios onde um grupo tem acesso de escrita, não basta reiniciar a permissão de escrita do ficheiro mas também definir o sticky bit no directório. Caso contrário, o ficheiro pode ser removido e pode ser criado um novo ficheiro com o mesmo nome por qualquer utilizador que tenha acesso de escrita no directório.

Aqui estão alguns exemplos interessantes de permissões de ficheiros:

$ ls -l /etc/passwd /etc/shadow /dev/ppp /usr/sbin/exim4
crw------T 1 root root   108, 0 Oct 16 20:57 /dev/ppp
-rw-r--r-- 1 root root     2761 Aug 30 10:38 /etc/passwd
-rw-r----- 1 root shadow   1695 Aug 30 10:38 /etc/shadow
-rwsr-xr-x 1 root root   973824 Sep 23 20:04 /usr/sbin/exim4
$ ls -ld /tmp /var/tmp /usr/local /var/mail /usr/src
drwxrwxrwt 14 root root  20480 Oct 16 21:25 /tmp
drwxrwsr-x 10 root staff  4096 Sep 29 22:50 /usr/local
drwxr-xr-x 10 root root   4096 Oct 11 00:28 /usr/src
drwxrwsr-x  2 root mail   4096 Oct 15 21:40 /var/mail
drwxrwxrwt  3 root root   4096 Oct 16 21:20 /var/tmp

Existe um modo numérico alternativo para descrever as permissões do ficheiro com o chmod(1). Este modo numérico utiliza 3 ou 4 dígitos em numeração octal (radix=8).


Isto parece complicado mas na verdade é bastante simples. Se observar as primeiras colunas (2-10) do resultado do comando "ls -l" e lê-las como uma representação binária (radix=2) das permissões do ficheiros ("-" sendo "0" e "rwx" sendo "1"), os últimos três dígitos do valor de modo numérico para si deverão fazer sentido como uma representação octal (radix=8) das permissões do ficheiro.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ touch foo bar
$ chmod u=rw,go=r foo
$ chmod 644 bar
$ ls -l foo bar
-rw-r--r-- 1 penguin penguin 0 Oct 16 21:39 bar
-rw-r--r-- 1 penguin penguin 0 Oct 16 21:35 foo
[Dica] Dica

Se necessitar aceder a informação mostrada por "ls -l" num script da shell, você deve utilizar comandos pertinentes como test(1), stat(1) e readlink(1). Os comandos da própria shell como "[" ou "test" também podem ser utilizados.

De modo a que as permissões de grupo sejam aplicadas a um utilizador particular, esse utilizador precisa de se tornar membro do grupo usando "sudo vigr" para /etc/group e "sudo vigr -s" para /etc/gshadow. Você precisa de iniciar sessão após terminar sessão (ou correr "exec newgrp") para activar a nova configuração do grupo.

[Nota] Nota

Em alternativa, pode adicionar dinamicamente utilizadores aos grupos durante o processo de autenticação ao adicionar a linha "auth optional pam_group.so" a "/etc/pam.d/common-auth" e configurar "/etc/security/group.conf". (Veja Capítulo 4, Autenticação.)

Os dispositivos de hardware são apenas outro tipo de ficheiros no sistema Debian. Se tiver problemas a aceder a dispositivos como o CD-ROM e memórias USB a partir de uma conta de utilizador, você deve tornar esse utilizador um membro do grupo relevante.

Alguns grupos notáveis disponibilizados pelo sistema permitem aos seus membros aceder a ficheiros e dispositivos particulares sem privilégios de root.


[Dica] Dica

Você necessita pertencer ao grupo dialout para reconfigurar o modem, ligar para qualquer lado, etc. Mas se o root criar ficheiros de configuração pré-definidos para peers de confiança em "/etc/ppp/peers/", você apenas precisa de pertencer ao grupo dip para criar uma ligação Dialup IP para esses peers de confiança utilizando os comandos pppd(8), pon(1), e poff(1).

Alguns grupos notáveis disponibilizados pelo sistema permitem aos seus membros executar comandos particulares sem privilégios de root.


Para a listagem completa dos utilizadores e grupos disponibilizados pelo sistema, veja a versão recente do documento "Utilizadores e Grupos" em "/usr/share/doc/base-passwd/users-and-groups.html" disponibilizado pelo pacote base-passwd.

Para comandos de gestão para o sistema de utilizador e grupo veja passwd(5), group(5), shadow(5), newgrp(1), vipw(8), vigr(8), e pam_group(8)

Existem três tipos de marcas temporais para um ficheiro de GNU/Linux.


[Nota] Nota

ctime não é o tempo de criação do ficheiro.

  • Sobrescrever um ficheiro altera todos os atributos mtime, ctime, e atime do ficheiro.

  • Alterar o dono ou as permissões de um ficheiro altera os atributos ctime e atime do ficheiro.

  • Ler um ficheiro altera o atime do ficheiro.

[Nota] Nota

Mesmo a simples leitura de um ficheiro no sistema Debian causa normalmente uma operação de escrita no ficheiro para actualizar a informação atime no inode. Montar um sistema de ficheiros com as opções "noatime" ou "relatime" faz com que o sistema salte esta operação e resulte num acesso mais rápido ao ficheiro para leitura. Isto é geralmente recomendado para portáteis, porque reduz a actividade do disco rígido e poupa energia. Veja mount(8).

Utilize o comando touch(1) para alterar as marcas temporais de ficheiros existentes.

Para marcas temporais, o comando ls gera diferentes strings sob o locale não-Inglês ("pt_PT.UTF-8") a partir do antigo ("C").

$ LANG=pt_PT.UTF-8  ls -l foo
-rw-rw-r-- 1 penguin penguin 0 oct. 16 21:35 foo
$ LANG=C  ls -l foo
-rw-rw-r-- 1 penguin penguin 0 Oct 16 21:35 foo
[Dica] Dica

Veja Secção 9.2.5, “Amostragem personalizada de hora e data” para personalizar a saída do "ls -l".

Existem dois métodos de associar um ficheiro "foo" com um nome de ficheiro diferente "bar".

Veja o seguinte exemplo para alterações nas contagens do link e as diferenças subtis nos resultados do comando rm.

$ umask 002
$ echo "Conteúdo Original" > foo
$ ls -li foo
1449840 -rw-rw-r-- 1 penguin penguin 17 Oct 16 21:42 foo
$ ln foo bar     # hard link
$ ln -s foo baz  # symlink
$ ls -li foo bar baz
1449840 -rw-rw-r-- 2 penguin penguin 17 Oct 16 21:42 bar
1450180 lrwxrwxrwx 1 penguin penguin  3 Oct 16 21:47 baz -> foo
1449840 -rw-rw-r-- 2 penguin penguin 17 Oct 16 21:42 foo
$ rm foo
$ echo "Novo Conteúdo" > foo
$ ls -li foo bar baz
1449840 -rw-rw-r-- 1 penguin penguin 17 Oct 16 21:42 bar
1450180 lrwxrwxrwx 1 penguin penguin  3 Oct 16 21:47 baz -> foo
1450183 -rw-rw-r-- 1 penguin penguin 12 Oct 16 21:48 foo
$ cat bar
Conteúdo Original
$ cat baz
Novo Conteúdo

O hardlink pode ser feito dentro do mesmo sistema de ficheiros e partilhar o mesmo número de inode tal como o ls(1) com a opção "-i" revela.

O link simbólico tem sempre permissões nominais de acesso ao ficheiro "rwxrwxrwx", conforme mostrado no exemplo acima, com as permissões de acesso efectivas ditadas pelas permissões do ficheiro para o qual aponta.

[Cuidado] Cuidado

Geralmente é boa ideia, de todo, não criar links simbólicos complicados ou hardlinks a menos que tenha uma boa razão. Podem causar pesadelos onde a combinação lógica dos links simbólicos resulta em ciclos viciosos no sistema de ficheiros.

[Nota] Nota

Geralmente é preferível utilizar links simbólicos em vez de hard links, a menos que tenha boas razões para usar um hardlink.

O directório "." liga ao directório onde ele aparece, assim a contagem de link de qualquer novo directório começa em 2. O directório ".." liga ao directório pai, assim a contagem de link do directório aumenta com a adição de novos sub-directórios.

Se está a mudar do Windows para Linux, em breve irá ficar claro o quão bem desenhado está a ligação de nomes de ficheiros em Unix, comparada com o equivalente mais próximo em Windows de "atalhos". Devido a estar implementado no sistema de ficheiros, as aplicações não conseguem ver nenhuma diferença entre o link para um ficheiro e o original. No caso dos hardlinks, não há realmente nenhuma diferença.

Um pipe com nome é um ficheiro que age como um pipe. Você coloca algo no ficheiro, e sai pelo outro lado. Por isso é chamado um FIFO, ou Primeiro-a-Entrar-Primeiro-a-Sair: a primeira coisa que você coloca no pipe é a primeira coisa a sair pelo outro lado.

Se você escrever para um pipe com nome, o processo que escreve para o pipe não termina até que a informação que está a ser escrita para o pipe seja lida a partir do pipe. Se você ler a partir de um pipe com nome, o processo que lê espera até que não haja mais nada para ler antes de terminar. O tamanho do pipe é sempre zero -- não armazena dados, apenas faz a ligação entre dois processos como a funcionalidade oferecida pelo "|" na sintaxe da shell. No entanto, como este pipe tem um nome, os dois processos não têm de estar na mesma linha de comando ou mesmo serem executados pelo mesmo utilizador. Os pipes foram uma inovação de muita influência do Unix.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ cd; mkfifo mypipe
$ echo "hello" >mypipe & # put into background
[1] 8022
$ ls -l mypipe
prw-rw-r-- 1 penguin penguin 0 Oct 16 21:49 mypipe
$ cat mypipe
hello
[1]+  Done                    echo "hello" >mypipe
$ ls mypipe
mypipe
$ rm mypipe

Os ficheiros de Dispositivos referem-se a dispositivos físicos ou virtuais no seu sistema, como o seu disco rígido, placa gráfica, monitor ou teclado. Um exemplo de dispositivo virtual é a consola, que é representada por "/dev/console".

Existem 2 tipos de ficheiros de dispositivo

  • Dispositivo de Caractere

    • Acedido por um caractere de cada vez

    • 1 caractere = 1 byte

    • Ex, teclado, porta série, ...

  • Dispositivo de Bloco

    • acedido em unidades maiores chamadas blocos

    • 1 bloco > 1 byte

    • Ex, o disco rígido, ...

Você pode ler e escrever nos ficheiros de dispositivo, embora o ficheiro possa muito bem conter dados binários que podem ser uma salada incompreensível para humanos. Escrever dados directamente nestes ficheiros é por vezes útil para diagnosticar problemas com ligações de hardware. Por exemplo, você pode despejar um ficheiro de texto para um dispositivo de impressora "/dev/lp0" ou enviar comandos de modem para a porta série apropriada "/dev/ttyS0". Mas, a menos que isto seja feito com cuidado, pode causar problemas maiores. Portanto seja cauteloso.

[Nota] Nota

Para o acesso normal a uma impressora, use lp(1).

Os números de nós de dispositivo são mostrados ao executar ls(1) como se segue.

$ ls -l /dev/sda /dev/sr0 /dev/ttyS0 /dev/zero
brw-rw---T  1 root disk     8,  0 Oct 16 20:57 /dev/sda
brw-rw---T+ 1 root cdrom   11,  0 Oct 16 21:53 /dev/sr0
crw-rw---T  1 root dialout  4, 64 Oct 16 20:57 /dev/ttyS0
crw-rw-rw-  1 root root     1,  5 Oct 16 20:57 /dev/zero
  • "/dev/sda" tem o número maior de dispositivo 8 e o número menor de dispositivo 0. Isto é acessível para leitura e escrita aos utilizadores que pertencem ao grupo disk.

  • "/dev/sr0" tem o número maior de dispositivo 11 e o número menor de dispositivo 0. Isto é acessível para leitura e escrita aos utilizadores que pertencem ao grupo cdrom.

  • "/dev/ttyS0" tem o número maior de dispositivo 4 e o número menor de dispositivo 64. Isto é acessível para leitura e escrita aos utilizadores que pertencem ao grupo dialout.

  • "/dev/zero" tem o número 1 no dispositivo maior e o número 5 no número de dispositivo menor. Isto é acessível para leitura/escrita a todos.

No sistema Linux moderno, o sistema de ficheiros sob "/dev/" é povoado automaticamente pelo mecanismo udev(7).

Os procfs e sysfs montados em "/proc" e "/sys" são os pseudo-sistemas-de-ficheiros e expõem estruturas de dados internas do kernel ao espaço de utilizador. Por outras palavras, estas entradas são virtuais, significando que elas agem como uma janela de conveniência às operações do sistema operativo.

O directório "/proc" contém (entre outras coisas) um sub-directório para cada processo em execução no sistema, o qual tem o nome do ID do processo (PID). Os utilitários do sistema que acedem à informação de processos, como o ps(1), obtêm a sua informação a partir desta estrutura de directórios.

Os directórios sob "/proc/sys/" contêm interfaces para alterar certos parâmetros do kernel durante o funcionamento. (Você pode fazer o mesmo através do comando especializado sysctl(8) ou do seu ficheiro de configuração/pré-carregamento "/etc/sysctl.conf".)

As pessoas frequentemente assustam-se quando notam num ficheiro em particular - "/proc/kcore" - o qual é geralmente enorme. Isto é (mais ou menos) uma cópia do conteúdo da memória do seu computador. É usado para depuração do kernel. É um ficheiro virtual que aponta para a memória do computador, portanto não se preocupe com o seu tamanho.

O directório em "/sys" contém estruturas de dados do kernel exportadas, os seus atributos, e as suas ligações entre eles. Também contém interfaces para alterar certos parâmetros do kernel durante o funcionamento.

Veja "proc.txt(.gz)", "sysfs.txt(.gz)" e outros documentos relacionados na documentação do kernel Linux ("/usr/share/doc/linux-doc-*/Documentation/filesystems/*") disponibilizados pelo pacote linux-doc-*.

Otmpfs é um sistema de ficheiros temporário o qual mantém todos os ficheiros na memória virtual. Os dados de tmpfs na cache de páginas da memória pode ser ir para o espaço swap no disco, conforme necessário.

O directório "/run" é montado como tmpfs no inicio do processo de arranque. Isto habilita a escrita mesmo que o directório "/ esteja montado como apenas-leitura. Esta é a nova localização para o armazenamento de ficheiros de estado transitório e substitui várias outras localizações descritas na Filesystem Hierarchy Standard, versão 2.3:

  • "/var/run" → "/run"

  • "/var/lock" → "/run/lock"

  • "/dev/shm" → "/run/shm"

Veja "tmpfs.txt(.gz)" na documentação do kernel Linux ("/usr/share/doc/linux-doc-*/Documentation/filesystems/*") disponibilizada pelo pacote linux-doc-*.

Midnight Commander (MC) é um "Canivete Suíço" GNU para a consola Linux e para outros ambientes de terminal. Isto oferece aos novatos uma experiência de consola movida por menus o que é mais fácil de aprender do que os comandos standard do Unix.

Pode necessitar instalar o pacote Midnight Commander que é intitulado de "mc" com o seguinte:

$ sudo apt-get install mc

Utilize o comando mc(1) para explorar o sistema Debian. Esta é a melhor maneira de aprender. Por favor explore algumas localizações interessantes apenas usando as teclas do cursor e Enter.

  • "/etc" e os seus sub-directórios

  • e"/var/log" os seus sub-directórios

  • "/usr/share/doc" os seus sub-directórios

  • "/sbin" e "/bin"

O editor interno tem um esquema de cortar-e-colar interessante. Pressionar F3 marca o inicio da selecção, um segundo F3 marca o final da selecção e destaca a selecção. Depois você pode mover o cursor. Se pressionar F6, a área seleccionada é movida para a localização do cursor. Se pressionar F5, a área seleccionada é copiada e inserida na localização do cursor. F2 salva o ficheiro. F10 fá-lo sair. A maioria das teclas do cursor funcionam de modo intuitivo.

Este editor pode ser iniciado directamente num ficheiro usando um dos seguintes comandos.

$ mc -e ficheiro_a_editar
$ mcedit ficheiro_a_editar

Este não é um editor de várias janelas, mas podem-se utilizar várias consolas de Linux para se conseguir o mesmo efeito. Para copiar entre janelas, utilize as teclas Alt-F<n> para mudar entre consolas virtuais utilize "Ficheiro→Inserir ficheiro" ou "Ficheiro→Copiar para ficheiro" para mover uma porção de um ficheiro para outro ficheiro.

Este editor interno pode ser substituído por qualquer editor externo à escolha.

Além disso, muitos programas utilizam as variáveis de ambiente "$EDITOR" ou "$VISUAL" para decidir que editor utilizar. Se você não está confortável com o vim(1) ou com o nano(1), você pode definir para o "mcedit" adicionando as seguintes linhas ao "~/.bashrc".

export EDITOR=mcedit
export VISUAL=mcedit

Eu recomendo definir isto para "vim" se possível.

Se você não está confortável com o vim(1), pode continuar a utilizar o mcedit(1) para a maioria das tarefas de manutenção do sistema.

Apesar do MC lhe permitir fazer quase tudo, é muito importante aprender a utilizar as ferramentas de linha de comandos invocadas a partir da prompt da shell e familiarizar-se com o ambiente de trabalho do tipo Unix.

Você deve tornar-se conhecedor de uma das variantes dos programas Vim ou Emacs que são populares em sistemas tipo Unix.

Eu acho que habituar-se aos comandos do Vim é a coisa certa a fazer, pois o editor Vim está sempre presente no mundo Linux/Unix. (Na verdade, o vi original ou o novo nvi são programas que vai encontrar em todo o lado. Eu escolho o Vim para novatos porque é bastante semelhante e mais poderoso já que lhe oferece ajuda através da tecla F1 .)

Por sua vez você pode escolher o Emacs ou o XEmacs como o seu editor favorito, essa é realmente uma outra boa escolha, particularmente para programação. O Emacs tem também um leque de outras funcionalidades, incluindo funcionar como um leitor de news, editor de directório, programa de mail, etc. Quando é usado para programação ou edição de scripts de shell, é inteligente para reconhecer o formato daquilo em que você está a trabalhar, e tenta disponibilizar assistência. Algumas pessoas afirmam que o único programa que necessitam em Linux é o Emacs. 10 minutos a aprender Emacs agora pode poupar-lhe horas mais tarde. Ter o manual do Emacs GNU para referência quando se aprende Emacs é altamente recomendado.

Todos estes programas vêm normalmente com um programa tutor para que você aprenda a usá-los pela prática. Arranque o Vim ao escrever "vim" e carregue an tecla F1. Você deverá ler pelo menos as primeiras 35 linhas. Depois faça o curso de treino online ao mover o cursor para "|tutor|" e pressionar Ctrl-].

[Nota] Nota

Os bons editores, como o Vim e o Emacs, podem lidar correctamente com UTF-8 e outros textos com codificações exóticas. É uma boa ideia usar o ambiente X com o locale UTF-8 e instalar as fonts e programas necessários para tal. Os editores têm opções para definir a codificação do ficheiro independentemente do ambiente X. Por favor consulte a documentação acerca de texto multibyte.

Vamos aprender comandos básicos do Unix. Aqui Eu uso "Unix" no seu sentido genérico. Geralmente qualquer SO clone do Unix oferece comandos equivalentes. O sistema Debian não é excepção. Não se preocupe se alguns comandos não funcionarem como deseja por agora. Se for utilizado alias na shell, as saídas dos comandos correspondentes serão diferentes. Estes exemplos não se destinam a ser executados por esta ordem.

Tente os seguintes comandos a partir da conta de utilizador não-privilegiado.

Tabela 1.16. lista dos comandos Unix básicos

comando descrição
pwd mostrar o nome do directório actual
whoami mostrar o nome do utilizador actual
id mostrar a identidade do utilizador actual (nome, uid, gid, e grupos associados)
file <foo> mostrar o tipo de ficheiro para o ficheiro "<foo>"
type -p <nome_do_comando> mostrar a localização de um ficheiro do comando "<nome_do_comando>"
which <nome_do_comando> , ,
type <nome_do_comando> mostrar informação do comando "<nome_do_comando>"
apropos <palavra_chave> mostrar comandos relacionados com a "<palavra_chave>"
man -k <palavra_chave> , ,
whatis <nome_do_comando> mostrar a explicação de uma linha para o comando "<nome_do_comando>"
man -a <nome_do_comando> mostrar a explicação do comando "<nome_do_comando>" (estilo Unix)
info <nome_do_comando> mostrar uma explicação longa do comando "<nome_do_comando>" (estilo GNU)
ls listar o conteúdo do directório (ficheiros e directórios não escondidos)
ls -a listar o conteúdo do directório (todos os ficheiros e directórios)
ls -A listar o conteúdo do directório (quase todos os ficheiros e directórios, isto é, salta o ".." e ".")
ls -la listar todo o conteúdo do directório com informação detalhada
ls -lai listar todo o conteúdo do directório com número de inode e informação detalhada
ls -d listar todos os directórios sob o directório actual
tree mostrar o conteúdo da árvore de ficheiros
lsof <foo> listar o estado aberto do ficheiro "<foo>"
lsof -p <pid> listar ficheiros abertos pelo processo de ID: "<pid>"
mkdir <foo> criar um novo directório "<foo>" no directório actual
rmdir <foo> remover um directório "<foo>" no directório actual
cd <foo> mudar o directório para o directório "<foo>" no directório actual ou no directório listado na variável "$CDPATH"
cd / mudar o directório para o directório raiz
cd mudar para o directório home do utilizador actual
cd /<foo> mudar para o directório de caminho absoluto "/<foo>"
cd .. mudar para o directório pai
cd ~<foo> mudar para o directório home do utilizador "<foo>"
cd - mudar para o directório anterior
</etc/motd pager mostrar o conteúdo de "/etc/motd" utilizando o paginador predefinido
touch <junkfile> criar um ficheiro vazio "<junkfile>"
cp <foo> <bar> copiar um ficheiro "<foo>" existente para um novo ficheiro "<bar>"
rm <junkfile> remover um ficheiro "<junkfile>"
mv <foo> <bar> renomear um ficheiro "<foo>" existente para um novo nome "<bar>" ("<bar>" não pode existir)
mv <foo> <bar> mover um ficheiro "<foo>" existente para uma nova localização <bar>/<foo>" (o directório "<bar>" tem de existir)
mv <foo> <bar>/<baz> mover um ficheiro existente "<foo>" para uma nova localização com um novo nome "<bar>/<baz>" (o directório "<bar>" tem de existir mas o directório "<bar>/<baz>" não pode existir)
chmod 600 <foo> tornar um ficheiro existente "<foo>" proibido de ser lido e ser escrito por outras pessoas (não executável para todos)
chmod 644 <foo> tornar um ficheiro existente "<foo>" permissível de ser lido mas proibido de ser escrito por outras pessoas (não executável para todos)
chmod 755 <foo> tornar um ficheiro existente "<foo>" permissível de ser lido mas proibido de ser escrito por outras pessoas (executável para todos)
find . -name <padrão> procurar nomes de ficheiros correspondentes usando um "<padrão>" de shell (lento)
locate -d . <padrão> procurar nomes de ficheiros correspondentes usando um "<padrão>" de shell (mais rápido usando uma base de dados gerada regularmente)
grep -e "<padrão>" *.html procura um "<padrão>" em todos os ficheiros terminados com ".html" no directório actual e mostra-os todos
top mostrar informação de processos usando ecrã completo, carregue em "q" para sair
ps aux | pager mostrar informação dos processos a correr usando saída ao estilo BSD
ps -ef | pager mostrar informação dos processos a correr usando saída ao estilo Unix system-V
ps aux | grep -e "[e]xim4*" mostrar todos os processos que correm "exim" e "exim4"
ps axf | pager mostrar a informação de todos os processos a correr com saída em arte de ASCII
kill <1234> matar todos os processos identificados pelo ID de processo: "<1234>"
gzip <foo> comprimir "<foo>" para criar "<foo>.gz" usando a codificação Lempel-Ziv (LZ77)
gunzip <foo>.gz descomprimir "<foo>.gz" para criar "<foo>"
bzip2 <foo> comprimir "<foo>" para criar "<foo>.bz2" usando o algoritmo de compressão de texto organizado em blocos Burrows-Wheeler, e codificação Huffman (melhor compressão que gzip)
bunzip2 <foo>.bz2 descomprimir "<foo>.bz2" para criar "<foo>"
xz <foo> comprimir "<foo>" para criar "<foo>.xz" usando o algoritmo de cadeia Lempel–Ziv–Markov (melhor compressão que bzip2)
unxz <foo>.xz descomprimir "<foo>.xz" para criar "<foo>"
tar -xvf <foo>.tar extrair ficheiros do arquivo "<foo>.tar"
tar -xvzf <foo>.tar.gz extrair ficheiros do arquivo gzipado "<foo>.tar.gz"
tar -xvjf <foo>.tar.bz2 extrair ficheiros do arquivo "<foo>.tar.bz2"
tar -xvJf <foo>.tar.xz extrair ficheiros do arquivo "<foo>.tar.xz"
tar -cvf <foo>.tar <bar>/ arquivar o conteúdo da pasta "<bar>/" no arquivo "<foo>.tar"
tar -cvzf <foo>.tar.gz <bar>/ arquivar o conteúdo da pasta "<bar>/" no arquivo comprimido "<foo>.tar.gz"
tar -cvjf <foo>.tar.bz2 <bar>/ arquivar o conteúdo da pasta "<bar>/" no arquivo "<foo>.tar.bz2"
tar -cvJf <foo>.tar.xz <bar>/ arquivar o conteúdo da pasta "<bar>/" no arquivo "<foo>.tar.xz"
zcat README.gz | pager mostrar o conteúdo do "README.gz" comprimido usando o paginador predefinido
zcat README.gz > foo criar o ficheiro "foo" com o conteúdo descomprimido de "README.gz"
zcat README.gz >> foo acrescentar o conteúdo descomprimido de "README.gz" ao final do ficheiro "foo" (se ele não existir, é primeiro criado)

[Nota] Nota

Unix tem a tradição de esconder os nomes de ficheiros que começam por ".". Eles são tradicionalmente ficheiros que contêm informação de configuração e preferências do utilizador.

[Nota] Nota

Para o comando cd, veja builtins(7).

[Nota] Nota

O paginador predefinido da vastidão do sistema Debian é o more(1), o qual não pode deslocar para trás. A instalar o pacote less usando o comando "apt-get install less", o less(1) torna-se o paginador predefinido e você pode deslocar para trás com as teclas do cursor.

[Nota] Nota

O "[" e "]" na expressão regular do comando "ps aux | grep -e "[e]xim4*"" em cima activam grep para evitar a correspondência consigo próprio. O "4*" na expressão regular significa 0 ou mais repetições do caractere "4" assim activa o grep a corresponder a ambos "exim" e "exim4". Apesar de "*" ser usado no glob de nome de ficheiro da shell e na expressão regular, os seus significados são diferentes. Aprenda a expressão regular a partir do grep(1).

Por favor percorra os directórios e espreite no sistema usando os comandos em cima como treino. Se você tiver questões sobre qualquer comando de consola, por favor certifique-se de ler o manual dele.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ man man
$ man bash
$ man builtins
$ man grep
$ man ls

Pode ser um pouco difícil de habituar-se ao estilo dos manuais, porque são bastante concisos, particularmente os mais antigos, muito tradicionais. Mas assim que se habituar a eles, vai apreciar a sua brevidade.

Por favor note que muitos comandos do tipo Unix incluindo os GNU e BSD mostram informação breve de ajuda se os invocar numa das seguintes formas (ou sem argumentos nalguns casos).

$ <nome_do_comando> --help
$ <nome_do_comando> -h

Agora você tem alguma prática de como utilizar o sistema Debian. Vamos ver mais fundo no mecanismo da execução de comandos no sistema Debian. Aqui, eu simplifiquei a realidade para o novato. Veja bash(1) para a explicação exacta.

Um comando simples é uma sequência de componentes.

  1. Atribuições de variáveis (opcional)

  2. Nome do comando

  3. Argumentos (opcional)

  4. Re-direcções (opcional: > , >> , < , << , etc.)

  5. Operador de controle (opcional: && , || , <nova-linha> , ; , & , ( , ) )

Os valores de algumas variáveis de ambiente modificam o comportamento de alguns comandos de Unix.

Os valores predefinidos das variáveis de ambiente são definidos inicialmente pelo sistema PAM e depois alguns deles podem ser redefinidos por alguns programas.

  • O gestor de ecrã como o gdm3 redefine variáveis de ambiente

  • A shell nos seus códigos de arranque redefine variáveis de ambiente em "~/.bash_profile" e "~/.bashrc".

O valor completo do locale dado à variável "$LANG" consiste em 3 partes: "xx_YY.ZZZZ".


Para códigos de idioma e códigos de países, veja a informação pertinente em "info gettext".

Para o conjunto de codificação no sistema Debian moderno, você deverá sempre defini-lo para UTF-8 a menos que queira especificamente usar o histórico tendo boas razões e conhecimentos para o fazer.

Para mais detalhes sobre configuração do locale, veja Secção 8.3, “O locale”.

[Nota] Nota

O "LANG=en_US" não é "LANG=C" nem "LANG=en_US.UTF-8". É "LANG=en_US.ISO-8859-1" (veja Secção 8.3.1, “Bases de codificação”).


A execução de comando típica utiliza uma sequência de linha de shell como o seguinte.

$ date
Sun Jun  3 10:27:39 JST 2007
$ LANG=fr_FR.UTF-8 date
dimanche 3 juin 2007, 10:27:33 (UTC+0900)

Aqui, o programa date(1) é executado com diferentes valores da variável de ambiente "$LANG".

A maioria das execuções de comandos geralmente não têm definições de variáveis de ambiente precedentes. Para o exemplo acima, você pode executar em alternativa o seguinte:

$ LANG=fr_FR.UTF-8
$ date
dimanche 3 juin 2007, 10:27:33 (UTC+0900)

Como pode ver aqui, o resultado do comando é afectado pela variável de ambiente para produzir a saída em Francês. Se desejar que a variável de ambiente seja hereditária aos sub-processos (p.e. quando chama um script de shell), então necessita de exportá-la com o seguinte.

$ export LANG
[Nota] Nota

Quando você usa um terminal de consola típico, a variável de ambiente "$LANG" é geralmente definida para ser exportada pelo ambiente de trabalho. Portanto o exemplo de cima não é realmente um bom exemplo para testar o efeito do export.

[Dica] Dica

Se utilizar um ambiente que não seja em Inglês quando preencher um relatório de bug, é uma boa ideia correr e verificar o comando com "LANG=en_US.UTF-8"

Veja locale(5) e locale(7) para "$LANG" e variáveis de ambiente relacionadas.

[Nota] Nota

Eu recomendo configurar o ambiente do sistema apenas pela variável "$LANG" e não mexer em variáveis "$LC_*" a menos que seja absolutamente necessário.

Vamos tentar lembrar os seguintes idiomas de comando de shell escritos numa linha como parte de um comando de shell.

Tabela 1.22. Idiomas de comandos de shell

idioma do comando descrição
comando & execução em segundo plano do comando na sub-shell
comando1 | comando2 liga em pipe a saída standard do comando1 à entrada standard do comando2 (execução concorrente)
comando1 2>&1 | comando2 liga em pipe a saídas standard e o erro standard do comando1 à entrada standard do comando2 (execução concorrente)
comando1 ; comando2 executa o comando1 e o comando2 sequencialmente
comando1 && comando2 executa o comando1; se tiver sucesso, executa o comando2 sequencialmente (retorna sucesso se ambos comando1 e comando2 tiverem sucesso)
comando1 || comando2 executa o comando1; se não tiver sucesso, executa o comando2 sequencialmente (retorna sucesso se o comando1 ou o comando2 tiverem sucesso.
comando > foo redirecciona a saída standard do comando para o ficheiro foo (sobrescreve)
comando 2> foo redirecciona o erro standard do comando para o ficheiro foo (sobrescreve)
comando >> foo redirecciona a saída standard do comando para o ficheiro foo (acrescenta)
comando 2>> foo redirecciona o erro standard do comando para o ficheiro foo (acrescenta)
comando > foo 2>&1 redirecciona ambos saída standard e erro standard do comando para o ficheiro foo
comando < foo redirecciona a entrada standard do comando para o ficheiro foo
comando << delimitador redirecciona a entrada standard do comando para as seguintes linhas até que o "delimitador" seja atingido (documentar aqui)
comando <<- delimitador redirecciona a entrada standard do comando para as seguintes linhas até que o "delimitador" seja atingido (aqui documento, os caracteres tab de inicio são retirados das linhas de entrada)

O sistema Debian é um sistema de multi-tarefa. Os trabalhos em segundo plano permitem aos utilizadores correrem vários programas numa única shell. A gestão dos processos em segundo plano envolve os embutidos da shell: jobs, fg, bg, e kill. Por favor leia as secções de bash(1) sob "SINAIS", "CONTROLE DE TAREFAS", e builtins(1).

Por exemplo, tente o seguinte:

$ </etc/motd pager
$ pager </etc/motd
$ pager /etc/motd
$ cat /etc/motd | pager

Apesar dos 4 exemplos de redireccionamentos de shell mostrarem a mesma coisa, o último exemplo corre um comando cat extra e desperdiça recursos sem nenhuma razão.

A shell permite-lhe abrir ficheiros usando o exec embutido com um descritor de ficheiro arbitrário

$ echo Hello >foo
$ exec 3<foo 4>bar  # abrir ficheiros
$ cat <&3 >&4       # redireccionar stdin para 3, stdout para 4
$ exec 3<&- 4>&-    # fechar ficheiros
$ cat bar
Hello

O descritores de ficheiro 0-2 são predefinidos.


Em ambientes de trabalho tipo Unix, o processamento de texto é feito ao canalizar texto por cadeias de ferramentas standard de processamento de texto. Esta foi outra inovação crucial do Unix.

Existem algumas ferramentas standard de processamento de texto que são muito usadas nos sistemas tipo Unix.

Se você não tiver a certeza do que estes comandos fazem, por favor utilize "man comando" para descobri-lo por si.

[Nota] Nota

A ordenação e alcance da expressão dependem do locale. Se desejar obter o comportamento tradicional para um comando, use o locale C em vez dos UTF-8 ao preceder o comando com "LANG=C" (veja Secção 1.5.2, “A variável "$LANG"” e Secção 8.3, “O locale”).

[Nota] Nota

As expressões regulares Perl (perlre(1)), Perl Compatible Regular Expressions (PCRE), e expressões regulares Python oferecidas pelo módulo re têm muitas extensões comuns ao ERE normal.

As expressões regulares são utilizadas em muitas ferramentas de processamento de texto. São análogas aos "globs" da shell, mas são mais complicadas e poderosas.

A expressão regular descreve o padrão de correspondência e é feita de caracteres de texto e de meta-caracteres.

Um meta-caractere é apenas um caractere com um significado especial. Existem 2 estilos principais, BRE e ERE, dependendo das ferramentas de texto conforme descrito acima.


A expressão regular do emacs é basicamente BRE mas foi estendida para tratar "+" e "?" como meta-caracteres como em ERE. Assim, não há necessidade de os 'escapar' com "\" na expressão regular do emacs.

grep(1) pode ser utilizado para executar a pesquisa de texto com expressão regular.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ egrep 'GNU.*LICENSE|Yoyodyne' /usr/share/common-licenses/GPL
GNU GENERAL PUBLIC LICENSE
GNU GENERAL PUBLIC LICENSE
Yoyodyne, Inc., hereby disclaims all copyright interest in the program

Para a expressão de substituição, alguns caracteres têm significados especiais.


Para string de substituição de Perl, é utilizado "$n" em vez de "\n" e "&" não tem nenhum significado especial.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ echo zzz1abc2efg3hij4 | \
sed -e 's/\(1[a-z]*\)[0-9]*\(.*\)$/=&=/'
zzz=1abc2efg3hij4=
$ echo zzz1abc2efg3hij4 | \
sed -e 's/\(1[a-z]*\)[0-9]*\(.*\)$/\2===\1/'
zzzefg3hij4===1abc
$ echo zzz1abc2efg3hij4 | \
perl -pe 's/(1[a-z]*)[0-9]*(.*)$/$2===$1/'
zzzefg3hij4===1abc
$ echo zzz1abc2efg3hij4 | \
perl -pe 's/(1[a-z]*)[0-9]*(.*)$/=&=/'
zzz=&=

Aqui por favor preste atenção extra ao estilo da expressão regular entre colchetes e como as strings correspondentes são utilizadas no processo de substituição de texto nas diferentes ferramentas.

Estas expressões regulares também podem ser utilizadas para movimentos do cursor e acções de substituição de texto em alguns editores.

A barra descendente "\" no fim da linha na linha de comandos da shell 'escapa' a nova linha como um caractere de espaço em branco e continua a entrada na linha de comandos da shell na próxima linha.

Por favor leia todos os manuais relacionados para aprender estes comandos.

Vamos considerar um ficheiro de texto chamado "DPL" no qual alguns nomes de líderes de projectos Debian pré-2004 e as suas datas de iniciação estão listados num formato separado por espaços.

Ian     Murdock   August  1993
Bruce   Perens    April   1996
Ian     Jackson   January 1998
Wichert Akkerman  January 1999
Ben     Collins   April   2001
Bdale   Garbee    April   2002
Martin  Michlmayr March   2003

O awk é frequentemente utilizado para extrair dados deste tipo de ficheiros.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ awk '{ print $3 }' <DPL                   # month started
August
April
January
January
April
April
March
$ awk '($1=="Ian") { print }' <DPL          # DPL called Ian
Ian     Murdock   August  1993
Ian     Jackson   January 1998
$ awk '($2=="Perens") { print $3,$4 }' <DPL # When Perens started
April 1996

Shells como a Bash também podem ser utilizadas para analisar este tipo de ficheiro.

Por exemplo, tente o seguinte:

$ while read first last month year; do
    echo $month
  done <DPL
... os mesmos resultados que no primeiro exemplo do Awk

Aqui, o comando embutido read usa caracteres em "$IFS" (separadores de campo internos) para dividir linhas em palavras.

Se você alterar "$IFS" para ":", você pode analisar "/etc/passwd" facilmente com a shell.

$ oldIFS="$IFS"   # guarda o valor antigo
$ IFS=':'
$ while read user password uid gid rest_of_line; do
    if [ "$user" = "bozo" ]; then
      echo "$user's ID is $uid"
    fi
  done < /etc/passwd
bozo's ID is 1000
$ IFS="$oldIFS"   # restaura o valor antigo

(Se o Awk for utilizado para fazer o equivalente, utilize "FS=':'" para definir o campo separador.)

O IFS também é usado pela shell para dividir resultados de expansão de parâmetros, substituição de comandos, e expansão aritmética. Estas não ocorrem em palavras dentro de citações simples ou duplas. O valor predefinido do IFS é <espaço>, <tab>, e <nova-linha> combinados.

Tenha cuidado ao usar estes truques IFS da shell. Podem acontecer coisas estranhas, quando a shell interpreta partes do script como a sua entrada.

$ IFS=":,"                        # usa ":" e "," como IFS
$ echo IFS=$IFS,   IFS="$IFS"     # echo é embutido no Bash
IFS=  , IFS=:,
$ date -R                         # apenas o resultado do comando
Sat, 23 Aug 2003 08:30:15 +0200
$ echo $(date -R)                 # sub shell --> entrada para a shell principal
Sat  23 Aug 2003 08 30 36 +0200
$ unset IFS                       # reset IFS para o predefinido
$ echo $(date -R)
Sat, 23 Aug 2003 08:30:50 +0200

Os seguintes scripts fazem coisas bonitas como parte de um pipe.


Um script de shell de uma linha pode fazer ciclos sobre muitos ficheiros usando o find(1) e xargs(1) para executar tarefas bastante complicadas. Veja Secção 10.1.5, “Idiomas para a selecção de ficheiros” e Secção 9.3.9, “Repetindo um ciclo de comandos sobre ficheiros”.

Quando a utilização dos modos interactivos da shell se torna muito complicada, por favor considere escrever um script de shell (veja Secção 12.1, “O script de shell”).